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São Tiago: fé e cultura como elementos vivos dos caminhos da história

Publicado em 02/08/2017 16:56:42


As identidades de um povo registram marcas que se cruzam em diferentes períodos. Em São Tiago, sagrado e profano constroem a interseção de uma comunidade em formação desde o século 18

Conhecida como a “Terra do Café-com-Biscoito”, São Tiago possui cerca de 11 mil habitantes, segundo estimativa do IBGE. Distante 208 quilômetros da capital mineira, Belo Horizonte, o município está localizado na microrregião dos Campos das Vertentes, tendo, dentre outros, São João del-Rei e Tiradentes como vizinhos.

O início do povoamento são-tiaguense se costura à história do período aurífero de Minas Gerais, no século 18. Conforme registra a narrativa oral, foram dois irmãos espanhóis que primeiro se estabeleceram na localidade. Eles teriam encontrado uma porção de ouro na região da atual Fazenda das Gamelas e Várzea Grande.

A narrativa dos pioneiros conta ainda que, se o empreendimento minerador fosse bem-sucedido, os irmãos ergueriam uma capela como pagamento de promessa feita ao apóstolo Tiago, dos quais os dois eram devotos.

Não por acaso, em 02 de dezembro de 1761, o bispo de Mariana, Dom Frei Manuel da Cruz, chancelou o primeiro documento escrito do povoado. O Texto permitiu aos moradores do local erguerem uma ermida em honra a São Tiago, já cultuado na Espanha desde o século 07.  

Vem também do século 18 um tesouro que celebra a fé e a cultura locais. Uma imagem de São Tiago, esculpida em 15 centímetros de madeira, carrega as marcas de gerações que construíram as representações do município.

Ela guarda a memória do povo ao mesmo tempo que caminha, pari passu, com as comunidades real e imaginária que constituem as identidades são-tiaguenses, num sincretismo entre fé e cultura popular.

A escultura é tão importante que, por meio do Decreto Municipal 1.296, de 23 de março de 2005, foi tombada como bem cultural material do município. No mesmo ano, a imagem, com autoria e origem incertas, passou a configurar no Livro do Tombo do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas (Iepha).

O padroeiro da cidade tem uma data dedicada a ele, 25 de julho. Além da religiosidade, o dia também comemora a formação cultural do Município. É o que atesta o pároco local, padre Sebastião Corrêa Neto. Em celebração pelo aniversário de 68 anos do município, em julho passado, o religioso destacou a interseção entre cultura e fé.

O padre lembrou que uma cidade reúne as memórias dos antepassados, que podem se juntar a um símbolo, como a imagem do Apóstolo. O pároco ainda comentou que as celebrações religiosas são marcadas pela cultura popular.

Exemplo disso é a musicalidade regida pela Lira Imaculada Conceição em procissões festivas, iluminadas por fogos de artifícios. Atributos da chamada cultura da mineiridade, ainda preservados em São Tiago.  

“São Tiago de Compostela Brasileiro”

Embora haja várias versões para a história do santo, sabe-se que ele foi morto e decapitado na Judeia e seus restos mortais teriam sido levados para a Espanha. No entanto, foi apenas no século 08 que a história ganhou popularidade, com a descoberta de um túmulo que pertenceria a Tiago, na cidade espanhola de Compostela.

Peregrinos de várias partes da Europa seguiam em direção à localidade, que deu origem ao Caminho de Santiago de Compostela, também conhecido como Caminho das Estrelas, por ter o mesmo sentido da Via Láctea. 

No encalço desse itinerário mítico e cultural da Espanha, a Terra dos Biscoitos entra como uma das estrelas de um novo projeto que nasce aos moldes do circuito turístico espanhol. O Caminho de São Tiago de Compostela Brasileiro.

O percurso tem como ponto de partida o distrito de Santa Rita, em Ouro Preto, e chegada a São Tiago. Entre os dois, cerca de 220 quilômetros que cortam Ouro Branco, Conselheiro Lafaiete, Queluzito, Entre Rios de Minas, Lagoa Dourada, Resende Costa e Ritápolis.

O projeto foi idealizado pelo cardiologista lafaietense, Elias de Lima. Entusiasta com o sincretismo entre cultura e fé, o médico acredita que o Caminho é de redescoberta, reconquista de uma tradição fundada por pioneiros desbravadores em busca de metais preciosos.

“As trilhas, ou melhor, os ‘trilhos’ dos antigos tropeiros já estão prontos. A retomada dos caminhos históricos do Ciclo do Ouro e dos Diamantes, numa miniversão nacional, mineira, ecológica do consagrado caminho espanhol ganha novos ares na região”, afirma Lima.

Para o prefeito Denilson Reis, o Caminho promove uma maior integração regional, com aumento do fluxo de um tipo de turismo segmentado, como é o caso dos trajetos de fé, repletos de pessoas em diálogo com a espiritualidade.

“Esse nicho de turismo movimenta e robustece a economia de vários locais. Nem é preciso cruzar o Atlântico, caminhantes do Sul de Minas saem constantemente em direção a Aparecida, interior de São Paulo. Independente de religião, os turistas buscam a paz interna e interagem com as comunidades por onde passam, o que fortalece o pluralismo cultural”, afirma o prefeito.

A pé, de cavalo ou bicicleta, o trajeto espera caminhantes para uma imersão na fé e cultura da região. São os trilhos do passado se unindo aos do presente pela salvaguarda da memória e pela concretização do fortalecimento de munícipios através de um nicho turístico que já faz parte da cultura mundial há séculos.

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